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Praia Grande / SP
 


 

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HISTÓRICO DESTA CIDADE:

As terras do rei

Com a chegada dos portugueses no Brasil, a relação das pessoas com a terra mudou. Todo o território foi declarado como pertencendo ao rei de Portugal. Era como se os índios não tivessem direito sobre nada.
Sentindo-se dono do Brasil, o rei de Portugal pegou um mapa e dividiu suas terras em 14 partes. Cada parte ficou sendo uma Capitania Hereditária. A partir de 1534, nobres portugueses passaram a receber capitanias para administrar e delas tirar riquezas.
O Brasil foi dividido entre os portugueses e as terras dos índios foram pouco a pouco sendo conquistadas.

Capitanias Hereditárias

O Brasil foi dividido em 14 Capitanias Hereditárias, totalizando 15 lotes doados a figuras importantes da corte portuguesa, chamados de donatários. As capitanias eram hereditárias porque a terra passava de pai para filho. Os donatários tinham direitos e deveres como o de conceder sesmarias, que eram grandes extensões de terras aos colonos.

Capitania de São Vicente

As terras que pertencem a Praia Grande hoje em dia pertenciam antigamente à capitania de São Vicente que, tempos depois, virou capitania de São Paulo e, séculos mais tarde, estado de São Paulo.
O rei de Portugal entregou a capitania de São Vicente a um nobre chamado Martim Afonso de Souza, que esteve aqui, explorando a terra e fundando vilas, entre os anos de 1532 e 1533. Depois disso, nunca mais voltou. Ficou envolvido com expedições que iam para as Índias buscar riquezas para vender na Europa. Quem administrava a capitania era sua mulher, Ana Pimentel, que enviava para cá outros administradores.
Toda a capitania era administrada por pessoas que viviam na vila de São Vicente, fundada em 1532. Nesta vila se instalaram os primeiros portugueses que vieram colonizar a região e que investiram aqui nos primeiros engenhos de produzir açúcar. Praia Grande, hoje município do estado de São Paulo, pertenceu à cidade de São Vicente até 1967, quando ocorreu sua emancipação política. Desde então tornou-se um município independente, com administração própria, podendo eleger seu prefeito e seus vereadores. Antes disso acontecer, não havia autonomia para solucionar os problemas. Tudo dependia das decisões da Prefeitura de São Vicente, que nem sempre atendiam às necessidades da população que aqui morava.

Emancipação Política de Praia Grande

A emancipação política não aconteceu de repente, nem foi vontade de uma pessoa só. As pessoas que aqui moravam não estavam contentes com os problemas que enfrentavam, como a falta de saneamento, escolas, transporte, hospitais, abastecimento de água, luz, vias de acesso. Por isso, os moradores do bairro de Solemar viram a possibilidade de se desmembrar de São Vicente e de Praia Grande ganhar autonomia. Em 1953, Júlio Secco de Carvalho, liderou o movimento juntamente com Nestor Ferreira da Rocha, Heitor Sanchez Toschi, Israel Grimaldi Milani e Dorivaldo Loria Junior, entre outros.
Houve muita resistência por parte de São Vicente, pois significava a perda de 24 quilômetros de praias. Foi realizado em 1963 um plebiscito, que é a maneira pela qual a população faz sua escolha através do voto. Mas isso não garantiu ainda a emancipação da cidade.
Só em 19 de janeiro de 1967 a emancipação aconteceu. O engenheiro Nicolau Paal foi nomeado interventor federal no município, com instalação provisória da prefeitura no Ocian Praia Clube. A primeira eleição municipal na Praia Grande foi realizada em 15 de novembro de 1968. Tendo como prefeito Dorivaldo Loria Junior.

Os primeiros da região

Você sabe que os mais antigos habitantes do Brasil são os povos indígenas. Aqui, na Praia Grande, viviam comunidades de índios. Mas, quem eram eles? Como viviam? Que língua falavam? Quais seus costumes? Como se alimentavam? Existem descendentes hoje destes antigos habitantes?
É difícil obter informações sobre as pessoas que moravam há muito tempo em um lugar. É preciso realizar uma grande pesquisa. Mas, quem faz este tipo de pesquisa?
Quem pesquisa informações sobre povos muito antigos são os arqueólogos. Eles estudam objetos, restos de alimentos, fogueiras, lixo, ruínas de casas e esqueletos de pessoas de milhares de anos atrás. Analisam estes materiais e conseguem informações importantes sobre os costumes das pessoas que viveram em um determinado lugar.
Aqui, nesta região do litoral de São Paulo, os arqueólogos encontraram muitos objetos de povos que viveram por volta de 6000 a 7000 A.P.. Isto indica que a Praia Grande tem uma ocupação muito antiga.
A.P. - significa antes do presente.

Montes de conchas

Os mais antigos objetos encontrados no litoral paulista estavam no que poderia se chamar de "Montes de conchas". Isto é, os povos que ocupavam o litoral comiam principalmente mariscos, ostras, berbigão e peixes. Após se alimentarem, deixavam os restos desta alimentação sempre no mesmo local, formando um grande monte de conchas e ossos, chamado pelos arqueólogos de sambaqui.
A palavra sambaqui é de origem indígena, especificamente da língua tupi - tampa = conchas e ki = colina.
Os sambaquis chegam a ter cerca de 20 a 30 metros de altura e, dentro deles, os arqueólogos já encontraram diversos objetos: ossos de aves e outros animais, machados esculpidos em pedra lascada ou em osso, instrumentos de corte como facas e esqueletos de pessoas ali sepultadas. Junto com os esqueletos foram encontrados enfeites e outros objetos que deviam ser de uso pessoal do morto.
Os estudiosos chamam estes povos antigos de Cultura Sambaqui.
Os sambaquis também são conhecidos por casqueiras, caieiras ou caleiras, ostreiras ou berbigueiras, concheiras.
Os homens e mulheres dos sambaquis desapareceram há 1000 anos e não se sabe como isto aconteceu. Os esqueletos encontrados indicam que eram baixos e fortes e muito diferentes fisicamente dos índios Tupi que os portugueses encontraram aqui no nosso litoral 500 anos atrás.

Preservação dos sambaquis

Você acha que é importante preservar os sambaquis? Que conselhos você daria a uma pessoa que estivesse destruindo um local como este?
Não existem mais sambaquis aqui na Praia Grande. Foram destruídos por pessoas que não sabiam da sua importância para conhecer a história dos primeiros moradores destas praias.
Antigamente, quando os portugueses chegaram aqui, as pessoas pegavam as conchas dos sambaquis para fazer cal e usá-lo na construção de casas. Trituravam as conchas, queimavam em fornos e misturavam o pó com óleo de baleia e açúcar mascavo. Faziam então uma argamassa, usada para juntar as pedras nas construções, assim como fazemos hoje com o cimento. Durante centenas de anos foram construídos muros, casarões e igrejas com os sambaquis.

Populações indígenas em nosso litoral

Há 1000 anos, logo após o desaparecimento da cultura sambaqui, novos habitantes passaram a morar nesta região, como indicam os estudos dos arqueólogos. Eram povos indígenas que, além de pescar, caçar e coletar frutos e mel na mata, sabiam fazer potes de cerâmica e produzir hortas e quintais de mandioca, batata doce, maracujá, algodão, abóbora, feijão e inúmeros outros alimentos.
Há 500 anos, permaneciam aqui os povos indígenas. Segundo o relato de europeus, eram principalmente povos de língua Tupi, como os Tupinambá, os Tupiniquim e os Carijó, que, infelizmente, não existem mais neste litoral. Morreram nas guerras, na escravidão e de doenças trazidas pelos invasores estrangeiros.
Muitos costumes dos povos indígenas que viviam nesta região foram relatados em diários de viagens e em tratados de estudo escritos por europeus, que passaram por aqui, fixaram sua moradia nestas terras ou naufragaram nestas praias.
Você já ouviu falar de Hans Staden? Ele foi artilheiro de um navio que, em 1551, escapou de um naufrágio no litoral sul do Brasil. Quando voltou para a Europa, escreveu um livro relatando sua aventura.
Neste livro, ele conta como sobreviveu, o tempo que ficou prisioneiro dos Tupinambá e o que observou da vida das pessoas aqui no Brasil, principalmente os diferentes costumes dos povos indígenas.
Segundo Hans Staden, os índios Tupi do litoral preferiam morar em lugares onde encontravam água, lenha para o fogo, caça e pesca. Quando esgotava o alimento do local, mudavam-se para outro. Construíam grandes cabanas arredondadas, cobertas com palha de palmeira, sem divisória interna, onde moravam várias famílias. Cada uma ficava com um canto da cabana, onde acendia o seu fogo. Em uma aldeia havia cerca de sete cabanas.
Os índios Tupi também plantavam suas roças. Derrubavam as árvores e deixavam o local secar. Depois de três meses, tocavam fogo no terreno. Então, plantavam a mandioca.
Com as raízes da mandioca faziam diferentes alimentos. Com a goma fina faziam beijú, um tipo de tapioca apreciada até hoje em certas regiões do Brasil. Com a massa seca e mais grossa faziam a farinha, que era torrada em uma travessa bem grande de barro.
Você preserva alguns destes costumes indígenas? Você gosta de comer farinha de mandioca? Conhece tapioca?

Os europeus invadem as terras brasileiras

Onde estão as aldeias indígenas hoje? O que aconteceu com os Tupinambá, os Tupiniquim e os Carijó?
A maior parte dos índios que vivia no território brasileiro entrou em confronto com os europeus que chegaram aqui a partir de 1500. As lutas e as guerras foram constantes. De um lado, os índios combatiam com arco e flecha e do outro os portugueses usavam suas armas de fogo e seus canhões. Além disso, muitos índios foram mortos pelas doenças trazidas da Europa e da África, como as gripes, a varíola, o sarampo, certas disenterias e a lepra.
Os europeus foram pouco a pouco conquistando as terras e procurando meios de enriquecer. Aqui, na região de São Vicente, resolveram implantar engenhos de açúcar, para vender para a Europa, como faziam com sucesso nas ilhas conquistadas por eles no Atlântico.
Da Europa, eles trouxeram o costume de considerar inferior todo trabalho penoso, que exigisse força braçal, comércio ou envolvesse ofício artesanal. Os homens ricos e nobres, chamados na época de "homens bons", só podiam mandar, administrar sua propriedade ou exercer cargos públicos ou militares. Mesmo os homens pobres, que tinham que trabalhar duro para sobreviver, desejavam se transformar em "homens bons" e costumavam considerar inferior certos tipos de trabalho.
Com estes costumes, os portugueses, na capitania de São Vicente, começaram a utilizar os índios (gentios da terra), capturados nas guerras e escravizados, para trabalhar em seus engenhos, transportar cargas nas viagens e realizar serviços domésticos. Todo tipo de trabalho que exigisse esforço era imposto aos índios.

A escravidão Indígena

Pelas leis portuguesas dos séculos XVI e XVII era proibido caçar índios e transformá-los em escravos. Mas, as mesmas leis permitiam capturar e escravizar índios por meio do que se chamava de "guerra justa". Qualquer conflito entre os colonos e os índios, que desencadeasse uma guerra, podia ser o pretexto para aprisioná-los e levá-los ao cativeiro.
Os habitantes de São Vicente, Santos e São Paulo criavam guerras só para aprisionar índios e escravizá-los. Preferiam sempre os tupis e guaranis, que consideravam de mais fácil convívio, apesar deles serem os principais aliados dos portugueses desde o início da colonização. A maioria das guerras eram então injustas e podiam ser contestadas pela lei. Para manter a aparência e não ter escravos índios ilegalmente, muitos colonos afirmavam que tinham "gentios forros", ou seja, "índios livres".
Em testamentos de sitiantes e fazendeiros do século XVII há muitos "gentios forros" que são heranças deixadas de pai para filho, indicando que na verdade viviam sem liberdade.
É com a lei portuguesa de 1680 que se proíbe, sem nenhuma condição, a escravização dos índios. Mas, mesmo sendo ilegal, o aprisionamento e a escravização continuaram pelos séculos seguintes.

No tempo dos sítios

Alguém já foi a sua casa perguntar quantas pessoas vivem nela e o que fazem? Você sabe o que é recenseamento?
Recenseamento é feito para saber quantas pessoas vivem num lugar, qual a idade delas, se estudam, se trabalham. Com esses dados é possível conhecer a população do local, do que vive, no que trabalha, no tipo de casa que mora e assim por diante.
Quantas pessoas vivem na sua casa? Qual a idade e qual o sexo de cada uma delas? Quem trabalha na sua casa e o que faz? Quem estuda? Qual o tipo de construção de sua casa? alvenaria? madeira? Sua casa é. . . própria ? alugada ? cedida ?
No Brasil já foram feitos muitos recenseamentos. Alguns deles, foram realizados séculos atrás e são fontes importantes de informação sobre as pessoas que viviam e como viviam aqui na Praia Grande.
Gaspar, Joaquim, Narciso, Lourenço, Felipa, Escolastica, Cristovão, Cleto, Onofre, Lorença, Faustino, Anna, Josefa entre outros são nomes de pessoas que viveram em sítios na região de Praia Grande no ano de 1765. Sabemos disso porque, neste ano, foi realizado o primeiro recenseamento da capitania, mandado fazer pelo governador D. Luiz Antonio de Souza Botelho e Mourão.
Segundo o recenseamento, entre as "Prayas de Taypus e Mongagua", como era conhecido este nosso trecho da orla no recenseamento de 1765, existiam muitos sítios na região e agricultores que utilizavam o trabalho de negros forros e escravos para produzir e abastecer a Vila de São Vicente e Santos de produtos agrícolas e artesanais.
Pelos recenseamentos dos primeiros anos de 1800 e outros documentos da época, os moradores daqui criavam algumas cabeças de gado e plantavam arroz, mandioca, cana de açúcar, milho, feijão, batata doce, abacaxi, pimenta, tomate, laranja e café. Cortavam árvores para produzir madeira e faziam chapéus de palha, aguardente e farinha, que vendiam parte nas vilas de São Vicente e Santos para comprar outros produtos que necessitavam.
Quem fazia o trabalho da roça e os serviços da casa eram os escravos negros, de origem africana. Eram tantos na época, que constituíam mais da metade da população da região.
Hoje em dia, nada sobrou dos sítios e dos pequenos engenhos. Permanecem apenas os nomes de alguns deles nos nomes de bairros atuais. Você pode imaginar então que a vida na região era muito diferente. Se hoje existem casas, prédios e lojas; antigamente aqui era uma zona rural.

CAMINHOS E MEMÓRIA

Caminho do mar

Por sua localização no litoral, São Vicente, cidade da qual fazíamos parte, recebia o primeiro contato de quem chegava de Portugal atravessando o oceano. Era um povoado com um modo de vida rústico no século XVI.
Era de São Vicente que se tomava o caminho para subir a Serra do Mar, chamada pelos índios de Paranapiacaba. Era um dos caminhos mais difíceis de percorrer na época, mas só por meio dele se chegava ao planalto, à vila de São Paulo.
Hoje chegamos de carro a São Paulo em 50 minutos. Relatos informam que, quatrocentos anos atrás, a viagem levava quatro dias. As pessoas aproveitavam os trechos navegáveis do rio Cubatão e depois subiam a serra. Era tão íngreme a subida que em muitos momentos era necessário andar de quatro e se agarrar na vegetação.
Você já sabe que os índios foram escravizados nesta região do Brasil. Eram utilizados em diversos tipos de serviços, inclusive para carregar nas viagens, em redes, os portugueses recém chegados e para transportar nas costas as mercadorias do comércio do litoral com o planalto. Eram eles que levavam o peso, serra acima, da farinha, da carne e do açúcar. Em troca recebiam um tratamento desumano. Muitos tinham para comer no dia apenas uma espiga de milho.
Não existiam estradas. Elas só foram construídas no final do século XVII e, a partir dessa época, passou a ser possível utilizar animais, como bois e mulas, para o transporte de carga.
A estrada que subia a serra era conhecida como o Caminho do Mar e foi de suma importância para a economia brasileira. Por ela viajaram os grupos que descobriram o ouro da região de Minas Gerais.
Por ela, também, durante muito tempo, foi trazido o ouro para ser embarcado para a Europa. Nela passavam as tropas de mulas com mercadorias para abastecer as vilas mineradoras e viajavam as pessoas em busca das riquezas do sertão. A vila de São Vicente, nesta época, quase ficou despovoada e empobrecida.
Em 1790, o Governador Bernardo José de Lorena mandou refazer e calçar com pedras o Caminho do Mar. Desde então ele passou a ter o nome de Calçada do Lorena. Hoje ainda existem trechos deste caminho que foi construído por homens livres e escravos e, originalmente,

tinha 8 quilômetros de extensão, três metros de largura, canaletas para desviar a água, muros, pousos e paradas de tropas. Naquela época, só se podia percorrê-lo a pé ou a lombo de mulas.
Com o tempo, a Calçada do Lorena foi substituída por outros caminhos, ferrovias e rodovias e ficou muito tempo abandonada. Passou a ser recuperada e restaurada por arqueólogos na década de 1990.

Caminhos dos Rios

Outros caminhos eram percorridos por estes homens e mulheres que aqui viviam ou que por aqui passaram. Os mapas antigos mostram que os rios eram os caminhos mais utilizados pela população da região.
Por esses mapas é possível observar que os rios eram muito utilizados para chegar à Praia Grande e daqui partir para outros lugares como Mongaguá e Itanhaém no litoral sul.
O transporte era feito por canoas que navegavam pelo rio Piaçabuçu até a altura aproximada das Caieiras. Lá havia um porto de canoas, chamado de Porto do Piaçabuçu, desse ponto em diante, as pessoas seguiam caminho até a areia dura da praia e depois em direção à Itanhaém.
O principal rio de acesso a esses lugares era o rio Piaçabuçu. Durante muito tempo, Praia Grande era conhecida como Piaçabuçu ou o Caminho de Conceição do Itanhaém. Além do rio Piaçabuçu, outros pequenos rios também eram utilizados para o acesso aos sítios de Praia Grande entre eles: Rio Guaramar, Rio das Cruzes e Rio Indaiatuba.

Esgoto na nossa praia

A construção da Ponte Pênsil em 1914 tinha por finalidade conduzir os esgotos de Santos para desaguar no Itaipu. Isto fazia parte das intervenções urbanísticas propostas na época pela Comissão de Saneamento, chefiada pelo engenheiro Saturnino de Brito, para combater as epidemias que assolavam os santistas (febre amarela, varíola, tuberculose). Com a Ponte Pênsil, por onde começaram a trafegar carros, carroças e pessoas, a Praia Grande passou a estar ligada a São Vicente. Isto era uma coisa boa para os moradores da época. Mas, infelizmente, o esgoto que chegava em nossa cidade para desaguar no mar poluía as nossas praias.

A venda de terrenos

A construção da Ponte Pênsil facilitou o acesso das pessoas à Praia Grande. Com isso, os terrenos passaram a ter um maior valor do que tinham antes. Ocorreu então o que se chama de especulação imobiliária.
No início do século muitas pessoas queriam ganhar dinheiro fácil com a venda de terrenos por alto preço. Na época, muitas pessoas perderem suas terras em situações ilegais e outras se aproveitaram e enriqueceram.

Veja trecho da carta de B. Calixto:

S.Vicente, 23 de março de 1912
Amigo Narciso,br> (...) consta-me que você pretende ir a Conceição*, justamente nestes dias, antes da Páscoa, e portanto veja se pode chegar aqui em nossa casa para conversarmos. Temos muita coisa à falar sobre esses negócios de Conceição e principalmente sobre essas terras de Praia Grande tão procuradas e cobiçadas, agora, pelos homens de negócio (...).
Falaremos, ainda, sobre a sorte desses pobres praianos, nossos patrícios, e sobre o procedimento desse italiano que pretende despojá-los do único bem que possuem: as suas terras.(...) Calixto"
* Hoje Itanhaém.

Com o aumento da procura de pessoas que queriam veranear, os terrenos da Praia Grande passaram a ser loteados. Foram construídas residências de temporada e um hotel. Desde então, a cidade passou a viver do turismo.

O turismo

No início do século XX, os banhos de mar tinham caráter diferente de hoje. Eram recomendados com fins terapêuticos, para tratar da saúde, por conta da concentração de iodo. As pessoas vinham para a Praia Grande se banhar ao raiar do dia, ainda de madrugada. Vestiam geralmente como trajes de banho duas peças feitas de baeta, um tecido felpudo de lã: calça até os tornozelos, camisa de mangas compridas, franzida e com abas.
Ao longo dos anos, o turismo da cidade sofreu transformações. Na década de 60 e 70, a cidade recebia o turista de um dia, que vinha à praia para se divertir no mar. Para atendê-lo, existiam cabines de banho e até maiôs que podiam ser alugados. O comércio procurava atender o gosto deste turista.
Durante muito tempo, apesar de muitas pessoas chegarem na cidade, não havia infra-estrutura suficiente para atendê-las. Vários ônibus chegavam e ficavam ao longo da praia. As famílias traziam o que comer e não se importavam com o lixo que produziam. A areia, o mar, as ruas e as praças ficavam muito sujas.
Hoje, o turismo tem outra característica. As cabines deixaram de existir e deram lugar a outras atividades comerciais e serviços. Mas, será que o lixo do turista ainda é um problema para a cidade?
Como é o turismo hoje em Praia Grande? Qual a relação entre turismo e comércio para o desenvolvimento da cidade? Como os turistas utilizam hoje a praia? Existe algum trabalho para conscientização dos turistas e moradores para a preservação de nossas praias?

As praias limpas

Na administração do prefeito Alberto Pereira Mourão de 1993 a 1996 foi elaborado um projeto para reurbanizar a orla, incentivar o turismo, o comércio e, principalmente, os investimentos na construção de prédios e casas. A idéia era fazer a Praia Grande ficar bonita e agradável para o turista e para o seu morador. Como conseqüência, a cidade deveria crescer e enriquecer.
Durante muito tempo, a Praia Grande foi conhecida por suas praias sujas e feias. Havia muito preconceito contra a cidade.
Com as reformas, os moradores começaram a valorizar a cidade e a criar com ela uma identidade.

CAMINHOS DA CIDADE

Boqueirão

Na Av. Ayrton Senna da Silva fica o portal de entrada do município. Ela vai da rotatória até a Ponte do Mar Pequeno.
Esta avenida era um antigo caminho, chamado Caminho do Rei, usado por aqueles que desembarcavam no Porto do Campo e iam em direção ao Boqueirão. Naquela época, as pessoas percorriam este caminho a pé, de carro de boi ou mesmo com mulas.
Após a construção da Ponte Pênsil, com o aumento do número de pessoas chegando e saindo do município, o antigo Caminho do Rei se modificou. Para possibilitar acesso mais fácil e mais rápido aos lugares foi aberta a avenida, que recebeu o nome de Tupiniquins. Muito tempo depois, o nome foi substituído para avenida Ayrton Senna da Silva, em homenagem ao piloto de Fórmula 1.

Jardim Guilhermina

O bairro do Jardim Guilhermina é muito conhecido por moradores e turistas. Nele fica a Praça de Portugal, onde funciona uma feira permanente de artesanato e a praça de alimentação.
O Jardim Guilhermina começou com o loteamento em 1925. Os donos eram Heitor Sanchez Toschi e os irmãos Guilherme e Arnaldo Guinle. Eles se associaram e adquiriram uma área de sítios, com plantações de melancia e abacaxi, de 500m², de frente para o mar.
O nome, Guilhermina, foi uma homenagem à mãe dos irmãos Guinle.
A família Guinle era proprietária da Companhia Docas de Santos. O pai Eduardo P. Guinle iniciou a construção do cais santista em 1889.
Com o loteamento, vários operários chegaram na cidade em busca de trabalho. Naquela época, as condições de vida eram difíceis e muitos trabalhadores morreram por febres e doenças contagiosas.
No Jardim Guilhermina também foi construído o primeiro hotel da cidade, o Hotel dos Alemães, inaugurado em 14 de julho de 1928. Ele localizava-se na esquina da atual Av. Guilhermina e Av. Presidente Castelo Branco.

Aviação

Em 1927, uma grande área da cidade começou a ser aterrada para a construção do Aero Club de Santos, inaugurado só em 1936. Este aeroclube ficou conhecido como Campo da Aviação. Foi ele que deu nome ao bairro.

Cidade Ocian

Um dos marcos da Cidade Ocian é a estátua de Netuno. Na antiga mitologia greco-romana, Poseidon ou Netuno era o Deus do mar e das águas. E Ocian, o que significa?
A palavra Ocian é uma sigla: Organização Construtora e Incorporadora Andraus. Em 1955, esta empresa construiu um conjunto de 22 prédios, com 1350 apartamentos, que deram origem ao bairro Cidade Ocian.
Na época, a Praia Grande era um bairro de São Vicente, com poucos serviços urbanos. A construção dos prédios trouxe para cá uma infra-estrutura que não havia na região. Foram instalados geradores de energia elétrica, que funcionavam com óleo diesel, sistema de coleta e tratamento de esgotos e água encanada. Lojas, padarias e um próspero comércio passaram a ser estimulados por moradores e turistas.

Solemar

O movimento de emancipação política do município da Praia Grande se formou e teve início com Júlio Secco de Carvalho. Ele era dono de grandes áreas de onde se retirava lenha para comércio e fornecimento para a estrada de ferro Sorocabana. Com o esgotamento das reservas naturais a área foi loteada e vendida, dando início à vila e atual bairro de Solemar.

Avenida Ayrton Senna

O movimento de emancipação política do município da Praia Grande se formou e teve início com Júlio Secco de Carvalho. Ele era dono de grandes áreas de onde se retirava lenha para comércio e fornecimento para a estrada de ferro Sorocabana. Com o esgotamento das reservas naturais a área foi loteada e vendida, dando início à vila e atual bairro de Solemar.

Avenida Marechal Mallet

A partir de 1902, com a construção da Fortaleza de Itaipu, foi necessário abrir um caminho para facilitar o acesso até o local. Foi aberta então uma avenida com o nome de Marechal Mallet, em homenagem ao Ministro de Guerra da época.
Antes de ser construído o caminho, todo o material utilizado na construção da fortaleza foi transportado pelo mar.
Pela avenida Marechal Mallet passavam os dutos que durante muito tempo transportaram o esgoto da cidade de Santos para ser jogado nas águas do mar de nossa cidade.

Avenidas Presidente Costa e Silva e Castelo Branco

Você já sabe que o nosso município foi emancipado em 1967. Nesta época, quem governava o país eram os militares, que impunham um regime político da ditadura. Os presidentes não eram eleitos pelo povo, havia pouca liberdade e quase nenhum direito para os cidadãos.
Por terem sido criadas quando da emancipação, grande parte das ruas de nosso município tem o nome de presidentes militares. Este é o caso da avenida Presidente Costa e Silva e da avenida Presidente Castelo Branco.
Antes do período militar, a avenida Presidente Castelo Branco tinha o nome de avenida Beira Mar. As pessoas costumavam chamá-la de "avenida da praia" por ser o caminho da orla da praia, beirando o mar.

Avenida Presidente Kennedy

Essa importante avenida era antigamente conhecida como avenida do Telégrafo Nacional. Por ela passava uma linha de telégrafo que ia do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul. Nesse tempo, a avenida era apenas um caminho com vários postes de ferro fundido, aberto com a finalidade de manutenção da linha. Em toda sua extensão só havia postes e fios.
Em 1963, o presidente dos Estados Unidos, chamado John F. Kennedy, foi assassinado. Em sua homenagem a avenida do Telégrafo Nacional passou a ser chamada de Av. Presidente Kennedy.




SITE OFICIAL: http://www.praiagrande.sp.gov.br

FONTES: Prefeitura Municipal, Governo do Estado de São Paulo, INPE, Weather Channel Interactive

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